maio 11, 2017

"porque a determinada altura temos que perguntar porquê."

porque é que o horário escolar é superior ao horário dos funcionários da função pública?

porque é que há cada vez mais crianças diagnosticadas com deficit de atenção ou hiperactividade?

porque é que as crianças trazem tantos trabalhos de casa? para que servem?

porque é que as escolas têm vindo a reduzir o tempo de intervalo (aka brincadeira) e a aumentar o tempo efectivo de aulas?

porque é que os programas são cada vez mais extensos?

porque é que existem cada vez mais crianças e jovens a queixar-se do sistema escolar, das matérias, dos professores...?

porquê...?



na última reunião na escola do Rodrigo, que recordo está a frequentar o 1º ano (1ª classe), a professora referiu que os miúdos andam cansados, que o programa é muito exigente e que está constantemente a mudar. disse ainda que a última turma que teve do 1º ano, há quatro anos atrás, tinha que aprender ao longo do ano lectivo até ao número 20, e que actualmente, o programa exige que aprendam até ao número 100 e que façam algoritmos e pequenos textos da sua autoria! 

e eu perguntei porquê? quem é que elabora os programas escolares? quem é que define o que é importante as nossas crianças aprenderem? quem está no comando tem noção prática do que se passa no terreno? no que é que se baseia o conteúdo programático?

o que recebi de volta foi um encolher de ombros. quase que senti, por parte da professora, um certo receio em falar não fosse ela dizer tudo o que devia (e não devia, talvez). e todos os outros 24 pais presentes na sala se mantiveram em silêncio. ninguém perguntou porquê, ninguém se juntou à minha indignação, todos se mantiveram calados, conformados. 

o mesmo já acontecia no infantário quando nas reuniões as educadoras se queixavam que não tinham tempo para fazer "coisas giras" com as nossas crianças, e que achavam um absurdo terem que seguir regras e um programa idêntico ao do ensino básico porque o Ministério da Educação assim o exigia. e também aqui ninguém perguntava porquê. (ou melhor, perguntava, eu!) havia um encolher de ombros e conformismo generalizado como se fosse tudo normal! o importante mesmo era discutir a qualidade ou a cor das t-shirts, o valor da prenda da festa de Natal ou as mil exigências para a festa de finalistas...

eu não acho normal! e hei-de perguntar porquê sempre que alguma coisa no que diz respeito à educação/formação dos meus filhos não me pareça adequada! 

eu não me importo que eles brinquem à chuva, que subam às árvores, que venham com os joelhos esfolados. eu não quero recreios forrados a borracha, quadros interactivos, tablets individuais, nem aulas de mandarim ou japonês.
eu quero um ensino apelativo e adequado, que fomente a curiosidade deles e que permita o florescer da sua criatividade.
quero que eles tenham tempo para brincar, para jogar, para estar em grupo, dentro ou fora da sala de aula e que tenham tempo para cultivar valores como solidariedade, amizade, cooperação.
quero uma escola com casas de banho em condições, com um pavilhão desportivo onde não chova, com uma ementa alimentar nutritiva que não os faça passar fome ou encherem-se de bolachas logo a seguir ao almoço. (mas também aqui pareço ser a única a preocupar-me...)
eu quero que a escola, o ensino, seja um lugar para onde os meus filhos vão felizes e entusiasmados, mas isso não acontece. e como ainda só estamos no 1º ano sinceramente tenho medo do que aí vem, mas esperança que muito em breve ocorram mudanças.
porque temos que ser muitos a perguntar PORQUÊ?! ou não?!






desculpem o looongo texto, mas este é um tema que me interessa, que me preocupa e que julgo interessa a muita gente... ou estou errada.


deixo-vos este link com uma entrevista ao Prof. Eduardo Sá que achei muito interessante.





e, por favor, não se conformem!


Sofia**












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